O que é o Planeamento por Ondas Sucessivas (Rolling Wave)


O conceito de planeamento por ondas sucessivas (rolling wave planning) é referido um par de vezes no PMBOK e é uma técnica pouco usada pelos gestores de projeto tradicionais, habituados a uma fase de planeamento, extensa e exaustiva, antes de dar inicio à execução do plano, e que acham que o planeamento por ondas sucessivas (rolling wave planning) não é mais do que uma concessão do PMBOK aos métodos ágeis de gestão de projetos, e que essa técnica de planeamento não se aplica aos projetos que gerem.

O planeamento por ondas sucessivas é definido no PMBOK como sendo “uma técnica de planeamento iterativa segundo a qual o trabalho que tem de ser feito a curto prazo é planeado em detalhe, enquanto que o trabalho que ira ser realizado a médio ou longo prazo é planeado a um nível mais macro.“ De acordo com esta definição a técnica de planeamento por ondas sucessivas é uma técnica de elaboração progressiva, em que o plano do projeto pode ter vários níveis de detalhe, consoante a data de calendário em que as atividades irão ser executadas.

Para explicar em que consiste o planeamento por ondas sucessivas, e porque é que essa técnica faz sentido no contexto do processo do PMBOK de Definir as Atividades do Projeto, costumo fazer a analogia entre esta técnica e uma tarde de verão na praia. 

Surpreendidos? Continuem a ler que eu explico.






De facto, para explicar em que consiste o planeamento por ondas sucessivas nada melhor que uma imagem de verão. Na praia, quando nos sentamos à beira mar a observar as ondas, depressa repararemos que cada onda avança um pouco mais que a anterior. Cada onda elimina os obstáculos e avança mais uns centímetros do que a antecessora, e a onda seguinte, encontrando o caminho livre, avança um pouco mais, e vai eliminar obstáculos mais à frente, e assim, sucessivamente e, à medida que o tempo passa, o mar vai subindo e alisando a areia cada vez mais longe.

Se aplicarmos esta imagem ao planeamento do projeto, e entendermos o conceito de obstáculos como algo que vamos conseguindo ultrapassar à medida que vamos adquirindo conhecimento sobre qual a melhor forma de construir o produto, serviço ou resultado que temos de construir, fica fácil entender que o planeamento por ondas sucessivas não é mais que o aprofundamento e o avanço sucessivo nas atividades do projeto, até que se atinja o resultado esperado.

A forma como esta técnica é definida no PMBOK pode fazer pensar que ela é idêntica ao planeamento adaptativo do AGILE mas na realidade não é bem assim.

O planeamento por ondas sucessivas (rolling wave planning) está em linha, e faz sentido no contexto do PMBOK, se tivermos em conta que o espírito por detrás do planeamento intensivo e à cabeça, preconizado por esta metodologia, não é o de criar um plano que possa ser seguido de forma rigorosa, e sem alterações, ao longo do restante ciclo de vida do projeto, mas sim o de, através da criação de um plano detalhado, conseguir adquirir conhecimento que permita dispor do melhor plano de execução possível com a informação disponível na altura em que o plano é realizado, e também todo o conhecimento necessário sobre o que irá ser construído, e sobre as várias alternativas de o fazer.

Deste ponto de vista, o planeamento intensivo antes da execução, permite que se disponha de todo o conhecimento necessário para fazer face às contingências próprias da execução, alterando e adaptando o plano de forma a aproveitar eventuais acontecimentos que sejam favoráveis ao projeto, e que eram desconhecidos na altura de elaboração do plano, e evitando problemas e dificuldades que surjam.

Desde há muito tempo que o PMBOK reconhece que, o tempo que decorre entre a altura em que uma atividade é planeada, e a data em que ela é executada, e a forma como são executadas as atividades que precedentes, tem um impacto significativo na forma como uma determinada atividade é executada.

Nesta perspetiva o PMBOK reconhece que, por mais detalhado que o plano seja, existem vantagens em que o mesmo vá sendo adaptado para incorporar o conhecimento que for sendo adquirido, devendo por isso o plano ser entendido como algo que está em permanente atualização. Portanto, se o plano está em permanente atualização, à luz da eficiência na utilização de recursos, faz sentido ter um plano de alto nível para todo o projeto e ir detalhando os subconjuntos de atividades que irão ser executadas no curto prazo. Isso é planeamento por ondas sucessivas (rolling wave planning).

Resta explicar porque é que o planeamento por ondas sucessivas, apesar da capacidade de incorporar conhecimento, que adiciona à técnica base de planeamento do PMBOK é, ainda assim, muito diferente do planeamento adaptativo do AGILE.

É que por planeamento adaptativo o AGILE entende um processo em que, não é só o subconjunto de atividades necessárias para realizar os vários pacotes de trabalho, vão sendo definidas à medida que o projeto avança, mas também as próprias funcionalidades vão sendo definidas e priorizadas durante a execução do projeto.

Recorrendo de novo às analogias. Se iniciarmos um projeto para construir um veiculo de transporte. Usando uma metodologia estruturada, como a proposta pelo PMBOK, deveremos definir com clareza as especificações / funcionalidades / características do veiculo que queremos construir, criar uma WBS / EAP de alto nível para todo o projeto, e depois ir detalhando os vários ramos da WBS / EAP antes de dar inicio à construção de cada um dos componentes (chassis, motor, cabina, zona de carga, etc.) do veiculo.

Se, em alternativa, usarmos um processo de planeamento adaptativo como aquele que é proposto pelo AGILE, o objetivo em termos de visão seria o mesmo (construir um veiculo de transporte), sendo essa visão aquilo que enquadra todo o projeto de construção, o que quer dizer que, no final do projeto, não será provável que o cliente receba um Ferrari, mas toda a definição de requisitos, e as atividades necessárias para os concretizar, serão efetuadas de forma gradual, ao longo da execução do projeto de forma a que, tanto os requisitos, como a forma como os mesmo irão ser concretizados, possam evoluir consoante as necessidades do cliente e incorporar o conhecimento que vai sendo adquirido ao longo do projeto.

Espero ter conseguido esclarecer um pouco melhor quais as diferenças entre o planeamento por ondas sucessivas (rolling wave planning) do PMBOK e o planeamento adaptativo do AGILE.

Boas leituras e bons projetos.

Grp2ALL











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